14/08/2026 - Documentos Históricos: resgatados durante operação da Polícia Civil e Ministério Público
Parte dos documentos e artefatos de valor histórico e cultural apreendidos na Operação Guarda-Mór, na quinta (13), foi encontrada coberta por fezes de pombos no prédio onde funcionou a Fundação Cardoso Neto, conhecida como Museu do Zé Didor, e a estação ferroviária do município de Campo Maior . A informação foi divulgada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) nesta sexta-feira (14).
Segundo o promotor de justiça Maurício Gomes contou que após o falecimento do fundador, José Cardoso da Silva Neto, o Zé Didor, em 2022, o acervo estava sendo mantido de forma inadequada e deteriorando.
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"O Zé Didor teve esse olhar que muitos não tiveram. Então tudo que ele via valor histórico e cultural, levava para seu acervo", comentou o promotor.
O material resgatado abrange desde escrituras coloniais e registros da Batalha do Jenipapo até processos da época da ditadura militar. E deve passar por limpeza, avaliação, catalogação e digitalização com historiadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), para ser incorporado ao patrimônio público do estado.
Registros de compra e venda de pessoas escravizadas
Entre os documentos apreendidos, um livro de registros do Brasil Império revelou detalhes sobre o comércio de pessoas escravizadas no estado. Em entrevista ao g1, o promotor de justiça Maurício Gomes destacou uma escritura de 1866 que documenta a venda de uma pessoa por 700 mil réis.
"A gente pediu à IA para atualizar o valor, equivale a R$ 70 mil. Então, em valores atuais, o escravo equivaleria hoje a um carro 1.0 padrão. R$ 70 mil é o preço de um carro popular, é o valor de uma vida humana que foi escravizada em 1866", explicou o promotor.
Segundo o promotor, o caso da escritura seria referente à compra de um homem chamado Ísaias por um tenente-coronel. Documentos de outras épocas, como do ano de 1819, também foram apreendidas.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em cinco endereços nos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco.
Acervo com registros de escravizados e documentos do Brasil Império é apreendido em operação no PI
Aric Lages (G1/PI)
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